Pesquisa do Compliance ON TOP traz um amplo panorama sobre a remuneração das lideranças da área no Brasil
Salários em ascensão exponencial, profissionais disputados a peso de ouro, empresas desesperadas para encontrar profissionais para colocar de pé seus programas de compliance “da noite para o dia”… Esse cenário, provavelmente ainda vivo na memória de muitos líderes de Compliance, veio mudando ano após ano, em especial desde o fim da pandemia de Covid-19.
Sim, existem profissionais muito bem remunerados na área atuando por aqui, mas eles representam uma proporção menor do mercado hoje do que foram até o final da década passada, quando a área ainda podia ser considerada um vasto Oceano Azul de oportunidades para os profissionais que já somavam alguma experiência numa área que era uma grande novidade até bem pouco tempo.
É um movimento muito natural, em linha com a evolução captada pela pesquisa do Compliance ON TOP ao longo da trajetória da pesquisa, em especial nos últimos dois, três anos. O número de vagas para profissionais exercerem a liderança da área de Compliance é muito maior hoje. E essas vagas também estão espalhadas por uma base de empresas muito mais ampla e diversa em termos de porte e estrutura. Como vimos escrevendo ao longo das últimas edições do Compliance ON TOP, a área não é mais uma exclusividade das multinacionais, de grandes empresas ou de quem opera em setores ultra regulados. Trata-se de uma área cada vez mais comum no organograma dos mais diferentes perfis de empresas.
Os dados da pesquisa do Compliance ON TOP 2025, que pela primeira vez trouxe à tona questões referentes a remuneração dos líderes de compliance em todos os segmentos pesquisados pela pesquisa, mostram a realidade de uma área que, também como vimos dizendo já a algumas edições, vem sendo naturalizada dentro de mais e mais empresas, o que faz com que a dinâmica salarial, guardadas as proporções, se aproxime mais da realidade de áreas que são bastante comuns a um número bem mais amplo de empresas, bastante difundidas no ambiente de negócios, como Jurídico ou Marketing; do que de uma área muito especializada e restrita a um perfil mais específico de empresas ou setor, como era a área nos seus “primórdios’ por essas terras.
Dessa forma, o que se vê é uma área na qual as lideranças de Compliance nas empresas (profissionais de nível de gerência ou superior) estão divididos em várias faixas salariais, mas com presença considerável nas faixas mais baixas. Por exemplo, a maior parte dos profissionais que responderam a pesquisa neste ano, 28,3% da base, declarou ter salário entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil ao mês. Outros 9,9% dizem receber até R$ 14,9 mil. O que pode parecer um salário muito baixo para um posto de gerência da perspectiva de um profissional acostumado com a realidade de grandes companhias, ou de empresas multinacionais, representa a realidade para muitas dessas novas vagas abertas para a área ao longo dos últimos anos. Em uma empresa de pequeno porte que opera atendendo ao poder público em cidades do interior ou é distribuidora de uma grande empresa (que talvez sequer tenha espaço para um plano de carreira muito elaborado), um salário de R$ 14 mil, R$ 15 mil para um gerente, pode ser considerado bastante razoável. É algo que acontece em outras áreas, além de ser esperado que o patamar de salários oferecidos se adeque a realidade e ao porte de cada empresa.
Feito esse longo parênteses, 24% da liderança da área nas empresas recebe entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil mensais, no que é a faixa intermediária da pesquisa. Os que recebem entre R$ 35 mil até R$ 49,9 mil, perfazem 21,3% do total de respondentes da pesquisa do Compliance ON TOP. Na faixa mais alta, os profissionais com renda salarial mensal acima dos R$ 50 mil representam 16,5% do universo da pesquisa.
A diversidade nos perfis e as diferenças presentes no universo das empresas que mantêm departamentos de Compliance no Brasil se apresenta de forma bastante clara quando se faz alguns recortes mais específicos.
Quando se considera a faixa salarial apenas dos profissionais de Compliance que atuam em empresas multinacionais, o quadro muda consideravelmente. Nesses casos, 28,1%, a maior parcela dos respondentes, tem holerites superiores aos R$ 50 mil mensais. O número é mais de 10 pontos percentuais superior à média salarial geral; enquanto na faixa entre R$ 35 mil e R$ 49,9 mil, estão outros 26,7% dos respondentes de empresas multinacionais, mais de cinco pontos percentuais acima da média geral.
Em oposição, entre os profissionais que atuam em companhias de capital nacional (que como o leitor leu na matéria anterior, representam quase dois terços da base total de empresas), as faixas salariais inferiores são as mais representativas: 34,2% apresentam proventos entre R$ 15 mil até R$ 24,9 mil; e 13,7% ganham até R$ 14,9 mil, cerca de seis e quatro pontos percentuais acima da média geral, respectivamente. Nas empresas brasileiras, “apenas” 10% dos respondentes da pesquisa do Compliance ON TOP 2025 dizem receber mais de R$ 50 mil ao mês.
Nas companhias de maior porte, com receita anual acima de R$ 1 bilhão, a maior parte dos respondentes se situa na faixa intermediária da pesquisa, são 29,4% os que dizem ter salário mensal entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil.
Como era de se esperar, as diferenças também aparecem nos recortes feitos a partir de um olhar para o perfil das pessoas que ocupam as posições de liderança na área de Compliance nas empresas, seja por cargos, faixa etária ou gênero.
Embora já representem mais da metade da base pesquisada (você pode ler mais sobre isso nesta edição do Compliance ON TOP), as mulheres, ao que tudo indica, ainda são menos remuneradas do que seus colegas. Longe de ser uma exclusividade da área de Compliance, trata-se de um problema do mundo corporativo que é sabido e reconhecido por boa parte das empresas, por isso, será importante acompanharmos a evolução dessa agenda e um maior alinhamento entre os salários pagos aos profissionais, independentemente do seu gênero. De qualquer forma, o que temos na pesquisa deste ano, é mais de um terço das mulheres dizendo receber entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil. No caso dos homens, são 22% os que dizem estar nessa mesma faixa. Entre eles, a maior parte (27,4%) respondeu que recebe entre R$ 25 mil e R$ 34,9 mil; faixa na qual as mulheres estão representadas por 20,6% das líderes da área nas empresas. Nas faixas salariais acima dos R$ 35 mil mensais, o percentual de mulheres respondentes fica abaixo da média geral. Com os homens acontece o oposto.
Quando o recorte se dá pela faixa etária, os salários pagos às lideranças de Compliance, ainda uma área jovem, mostra uma dinâmica menos óbvia, que reflete, de um lado, a sua própria juventude no ambiente empresarial; quanto pela presença em mais empresas, de diferentes portes, o que como já mencionado nesse texto, abriu novos espaços para os profissionais da área, jovens ou experientes, ocuparem posições de gerência ou direção em empresas de pequeno e médio porte.
Entre os profissionais com até 39 anos (31,2% da base), o percentual dos que ganham entre R$ 15 mil e R$ 34,9 mil bate quase nos 65% do total; já entre aqueles que estão na faixa entre os 40 anos e 54 anos, a esmagadora maioria da base (63,9%), existe uma distribuição mais equitativa entre as diferentes faixas acima dos R$ 15 mil ao mês. Por fim, as poucas lideranças de Compliance com mais de 55 anos (4,8% da base), estão, em sua maior parte, 29,4% na faixa dos que ganham mais de R$ 50 mil; com igual percentual dizendo receber entre R$ 15 mil e R$ 24,9 mil.
Quando se olha para os cargos ocupados, os resultados apontam para um quadro que, pode-se dizer, fica dentro do esperado, com mais de 70% dos profissionais respondentes com cargos de direção, vice-presidência ou C-level, recebendo mais de R$ 35 mil ao mês, com 38,9% deles ganhando mais de R$ 50 mil; enquanto no caso de gerentes, heads e superintendentes, percentual equivalente concentra-se nas faixas entre R$ 15 Mil e R$ 34,9 mil mensais.
Por fim, entre os profissionais que possuem alguma certificação profissional de Compliance, como a CPC-A (emitido pela LEC, co-realizadora do Compliance ON TOP) e do CCEP-I (da Society for Corporate Ethics and Compliance), 35,4% se enquadram nas faixa acima dos R$ 35 mil mensais, enquanto 8% dos respondentes disseram receber até R$ 14,9 mil, dois pontos percentuais abaixo da média geral.
Bônus e incentivos de longo prazo
A pesquisa do Compliance ON TOP 2025 também questionou os líderes do Compliance nas empresas sobre bônus e incentivos de longo prazo. 84,1% dos respondentes disseram ter direito a ele. Dentre eles, 52% podem receber até três salários a mais, caso as metas sejam atingidas. Outros 34,9% têm direito a entre quatro e seis salários adicionais pelo cumprimento de metas.
Quando se olha pela origem da empresa, as companhias brasileiras parecem mais agressivas na concessão dos bônus para os seus executivos do que as multinacionais. Enquanto apenas 7,6% das lideranças de Compliance nas multinacionais dizem ter direito a bônus anual acima de sete salários, no caso das empresas brasileiras, esse percentual vai a 16,7%. Vale destacar que o percentual de respondentes que atuam em companhias brasileiras e diz ter bônus anual no seu pacote de remuneração é de 76,9%, 7,2 pontos percentuais abaixo da média geral.
No caso dos incentivos de longo prazo, como opções de ações e phantom shares, são 38,7% os que dizem ter direito a esse tipo de remuneração adicional, percentual que cai para 34,2% no caso das empresas nacionais.
Gráficos
Salário médio mensal das lideranças de Compliance nas empresas em diferentes recortes

Média de salários extras entre os profissionais que recebem bônus anual nas empresas
(84,1% dos profissionais respondentes nas empresas têm direito a ele)

