Para as lideranças de Compliance em escritórios de advocacia e consultorias, o mercado segue estável em relação aos anos anteriores
Em um cenário no qual as empresas vêm mantendo certo nível de estabilidade em relação às suas operações de Compliance, e com um quadro macro que ainda não trouxe grandes novidades capazes de impactar significativamente as estruturas do mercado – algo que pode vir acontecer, por exemplo, com a entrada em vigor das sanções relacionadas à não conformidade com as novas disposições sobre os riscos psicossociais dos funcionários disposta na NR-1, a partir de 26 de maio de 2026 (leia matéria nesta edição do Compliance ON TOP) –, os indicadores relacionados ao desenvolvimento dos negócios de consultorias especializadas e de escritórios de advocacia, de acordo com a visão dos seus dirigentes, são de relativa estabilidade na comparação com os anos anteriores.
Entre os diretores e sócios de consultorias especializadas, em 2025 66,3% deles disseram ter visto a demanda por serviços para a área de Compliance crescer. É um resultado bem próximo daquele apontado em 2024, quando 67,6% disseram ter crescido. Neste ano, 40,7% dos respondentes desse grupo disseram que o negócio cresceu. Os que disseram que cresceu muito (acima de 20%), que eram 33,7% da base em 2024, neste ano foram 25,6%. Os que apontaram para uma queda na demanda, somaram 4,6% da base da pesquisa neste ano, ante 1,5% que responderam o mesmo na pesquisa do ano passado.
Historicamente, ou ao menos ao longo das últimas edições da pesquisa, os sócios de Compliance nos escritórios de advocacia, sempre indicaram um aumento na demanda por serviços em nível superior aos dos seus colegas nas consultorias. Não é o que se vê neste ano, quando 58,5% das lideranças desse setor dizem ter visto a demanda pelo seu trabalho crescer em 2025, com 26,8% deles dizendo ter visto um avanço superior a 20% na comparação com o ano anterior.
Em relação à estrutura das consultorias cujas lideranças responderam à pesquisa do Compliance ON TOP 2025, 31,2% têm receita anual acima dos R$ 10 milhões ao ano, com 23,7% da base faturando acima dos R$ 30 milhões por exercício, o que aumentou o share das consultorias de maior porte na base deste ano, ainda que a participação das consultorias que faturam até R$ 999 mil também tenha avançado, de 44,3% em 2024 para 47,3% agora. Ainda em relação ao porte, 24% das consultorias representadas na pesquisa tem um quadro com 100 ou mais funcionários, enquanto 59,4% operam com até nove colaboradores. Na pesquisa deste ano, 58,3% dos diretores e sócios de consultorias disseram ter ampliado a equipe, sendo que 19,8% da base de respondentes incorporou profissionais de nível de gerência ou superior à equipe.
No caso dos escritórios de advocacia, 25% dos sócios de Compliance participantes atuam em firmas com receita anual acima dos R$ 30 milhões (10 pontos percentuais a mais do que na pesquisa do ano anterior); enquanto na ponta de entrada, o percentual dos que atuam em escritórios que faturam até R$ 999 mil ao ano foi de 26,3%, uma queda de mais de 15 pontos percentuais na comparação com 2024. Em relação ao número de colaboradores, 38,4% dos respondentes trabalham em escritórios com até 9 pessoas, enquanto 24,4% exercem a atividade em bancas com mais de 100 profissionais. Ao todo, 55,6% dos sócios de escritórios que responderam a pesquisa disseram ter ampliado a sua equipe em 2025, com 42% da base total tendo apontado a contratação de advogados de perfil de associado ou júnior para atuar na área de Compliance da banca.
Novidade na pesquisa deste ano do Compliance ON TOP, 56,1% dos líderes das consultorias participantes da pesquisa dizem atuar também fora do Brasil, tocando projetos de clientes de capital nacional ou estrangeiro além das nossas fronteiras. Entre os sócios de escritório de advocacia, esse percentual chega a 74,1% da base de respondentes da pesquisa, configurando uma ampla inserção do compliance brasileiro no exterior.
Se em 2024, o crescimento das consultorias havia sido puxado pelos clientes do setor da saúde e do agronegócio (ambas citadas por 39% dos respondentes na ocasião); em 2025, quem puxa a fila são outros segmentos. A área de tecnologia foi apontada por 40,8% das lideranças na consultoria como um destaque no crescimento da demanda por serviços de compliance, seguida pelas empresas de energia e pelas instituições financeiras e de meios de pagamento, ambas citadas por 39,3% dos participantes. Só depois aparecem as empresas de saúde, farmacêutico, hospitalar – fora do pódio, mas sempre um segmento muito demandante por serviços na área – mencionado por 35,7%, seguido pelos setores de logística/transporte (34,5%) e pelo agronegócio (32,1%).
Sobre os serviços mais demandados pelos clientes, nas consultorias, como sempre, os treinamentos e a estruturação/revisão do programa de compliance, seguem inabalados como os tópicos mais apontados como os que geram maior procura pelos clientes. No caso dos treinamentos, Isso demonstra que as empresas têm (ou ao menos aparentam ter) a ciência de que suas equipes precisam ser atualizadas com frequência sobre as políticas e práticas relacionadas à execução do programa de compliance da companhia, ou a novos temas e agendas que se relacionam com o tema. Já em relação a estruturação/revisão dos programas de compliance, é que existe um bom volume de oportunidades gerados por um número maior de empresas que estão incorporando as práticas de compliance de forma mais estruturada aos seus negócios e precisam de apoio para dar esse primeiro passo.
Particularmente, para as consultorias o risk assessment retornou ao posto de terceiro serviço mais demandado, citado por 58,1% dos respondentes. Na sequência, aparecem a due diligence de terceiros e as investigações internas por fraude, corrupção, conflitos de interesse e demais atos ilícitos ou contrários às políticas do cliente. Destaque na pesquisa do ano passado, com 61% de menções, às auditorias de programas de compliance retrocederam em 2025 como serviço buscado pelos clientes, sendo citada por 43% dos respondentes, mesmo percentual dos que demandam por elaboração/revisão de controles internos.,
Embora treinamentos e estruturação/revisão de programas de Compliance figurem no topo dos serviços mais demandados pelo mercado de compliance aos escritórios de advocacia, as investigações internas por fraude, corrupção e outros ilícitos sempre tiveram lugar de destaque no rol de atividades realizadas pelos escritórios. Mas, na pesquisa de 2025, esse tópico aparece isolado como o mais demandado, de acordo com os próprios sócios de Compliance nos escritórios de advocacia. Nada menos do que 69,9% dos respondentes apontaram essas investigações como um dos serviços mais demandados para os escritórios no ano, à frente dos treinamentos, apontado por 66,3%, e da estruturação/revisão dos programas de compliance, mencionados por 60,2% da base de advogados participantes do Compliance ON TOP. As investigações internas relacionadas a assédio moral ou sexual também foram destacadas por 56,6% dos respondentes, mesmo percentual dos que mencionaram a due diligence de terceiros entre os serviços mais demandados às bancas de advocacia.
Também no caso dos escritórios de advocacia, as empresas de tecnologia puxaram o crescimento na demanda por serviços, tendo sido mencionado por 45,1% dos sócios dos escritórios. Na sequência, aparecem as empresas do complexo saúde, farmacêutico, hospitalar, (37,8%), agronegócio (36,6%), varejo, distribuição, ecommerce (34,1%) e as companhias de energia (31,7%).
Em linha com a própria base das empresas (clientes no caso aqui) participantes da pesquisa, as empresas brasileiras se destacam entre o perfil de cliente apontado pelas lideranças das consultorias que espelham o perfil de cliente atendido, de forma majoritária, pela firma. Para 63,2% dos respondentes, seu principal cliente são “grandes empresas brasileiras” (35,8%) ou “empresas brasileiras de médio porte” (27,4%). No caso das áreas de Compliance das bancas de advocacia, embora as “grandes corporações globais” representam o perfil majoritário para uma parcela muito relevante dos sócios dos escritórios (31,8%), as “grandes empresas brasileiras” superam esse percentual, sendo apontada por 32,9% da base.
Gráficos
Os serviços mais demandados pelas empresas para escritórios e consultorias em 2025

Os setores que mais puxaram o crescimento na demanda por serviços

Conheça o Congresso Internacional de Compliance da LEC

