Toda organização tem a sua própria estratégica, modelo de negócio, dinâmica e realidade, bem como sua maneira de atuar, seus desafios e suas questões, mas infelizmente muitas delas também passam por crises corporativas éticas, de imagem e de reputação, e até por escândalos.
Se talvez nem todos esses tristes episódios consigam ser evitados, a realidade mostra que ao menos a maioria é sim – e que todos temos que trabalhar todos os dias para identificar e fechar brechas, corrigir equívocos, regularizar e fortalecer procedimentos, para o bem das próprias organizações.
O que “não era para acontecer” precisa ser evitado de maneira consciente e firme, organizada, controlada, e constante – para que de fato os riscos dessas situações ocorrerem sem reduzidos, e que medidas de mitigação ou correção sejam rápida e eficazmente implementadas.
Em diversos casos, o que alguns podem chamar de apetite ao risco, ousadia, ou até “estilo”, englobam enormes perigos corporativos, que muitas vezes afetam não apenas os diretamente envolvidos como toda a organização e até seus parceiros – podendo inclusive prejudicar clientes e a sociedade em geral. E, para que a “maneira de atuar”, a ousadia, a “agressividade”, e os “jeitinhos”, bem como as “táticas escusas” não se transformem em enormes problemas, os controles, os fluxos, as políticas e os sistemas internos (bem como as auditorias) precisam ser muito bem pensados e implementados.
A conscientização dos valores e dos princípios éticos, o reforço da cultura da correção, e os treinamentos, bem como o exemplo positivo da alta gestão são fundamentais; e tem que ser permanentes.
O Brasil voltou a passar por grandes escândalos corporativos (claramente evitáveis) nos últimos meses, envolvendo questões como fraudes na previdência social, operações da polícia federal de grande magnitude como a “carbono oculto”, “compliance zero” (que, inclusive, como o próprio nome indica aborda exatamente a falta de compliance efetivo), e diversas tantas (também decorrentes de operações e ações do Ministério Público e de outras autoridades e órgãos de controle) que nos fazem recordar de “outras” anteriores como castelo de areia, lava jato etc.
A volta desses escândalos (muitos deles até “midiáticos”) demonstra que não se pode “baixar a guarda” nas organizações, e que o “preço” a ser pago é o da eterna vigilância e dos controles, das auditorias e do fortalecimento de controles internos, governança corporativa e compliance.
Logicamente, “ninguém” quer passar por situações delicadas nessa magnitude, que por vezes podem ser traumáticas e até mesmo “custar” a organização toda, mas no mundo inteiro, e nesse sentido o Brasil segue a realidade global – e “elas” acontecem. E quando menos se espera elas surgem, e voltam.
A própria imagem do “empresariado” brasileiro e até mesmo do País ficam “manchadas” quando esses escândalos são descobertos, e a sua repetição nos mostra que não se pode cair na armadilha de reduzir o foco, o investimento, o treinamento e a força da boa governança corporativa e do compliance, como muitos infelizmente insistem em propor a muitas organizações.
No caso brasileiro e de maneira quase “cíclica” temos observado crises éticas e morais corporativas em diversos setores, sendo algumas delas de enorme magnitude, que em muitos casos afetam a imagem, a reputação, a credibilidade e até a própria sobrevivência das pessoas e empresas envolvidas – por vezes culminando em grandes escândalos e mesmo “operações policiais”.
E temos que entender, ainda, que essas situações mancham os mercados e colaboram até para que o risco país seja aumentado, piorando o ambiente de negócios, e afastando investimentos.
Paradoxalmente, tais episódios ajudam a “lembrar” os mercados de que programas efetivos e robustos de governança corporativa e de compliance são extremamente necessários e importantes; e que não são propriamente optativos.
Queremos crer que a maioria das empresas, das organizações em geral, e dos “corpos diretivos corporativos” seja consciente, organizada, correta e ética, mas infelizmente a realidade nos mostra que nem todos são assim – ou não o são de forma “natural”. E para os casos em que essa “retidão” não é natural, as ferramentas de controle e de organização são ainda mais importantes.
Como se sabe, em vários “escândalos” os desvios éticos são tão grandes e profundos que implicam em práticas “acima” dos órgãos e das estruturas de controle, conseguindo “burlá-los”, mas se de toda forma houver bons programas de controle já será um grande reforço às boas práticas (ao menos gerenciais).
Temos que recordar aqui dois grandes marcos da história brasileira recente que bem ilustram o tema central deste breve artigo, a operação lava jato e a lei anticorrupção, que em seu conjunto ajudaram a demonstrar às organizações que organizar de fato suas operações era fundamental – sob pena de consequências muito drásticas, como prisões e mesmo o fim de empresas.
Com o passar dos anos, porém, e com várias das “consequências” acima mencionadas terem sido esquecidas ou até canceladas, o tema infelizmente deixou de figurar entre os principais temas corporativos, e chegamos ao ponto de vermos diversas empresas reduzirem drasticamente seus programas, equipes, sistemas e investimentos, tanto em governança corporativa quanto em compliance – chegando ao ponto de muitos até alegarem que não seriam mais necessários. Mas eles “são sim”!!
Dessa forma, se de um lado lamentamos muito essas crises e escândalos, de outro temos que nos lembrar de que são justamente “eles” que ajudam a fortalecer os programas de governança corporativa e de compliance, ao mostrar aos empresários e executivos que por vezes tentam “acabar” com eles, ou reduzir drasticamente, que são imprescindíveis.
Quando “alguém” alegar que governança corporativa e/ou compliance não são fundamentais ou que são caros, lembre à pessoa que caro é não ter esses programas de forma efetiva e robusta; e que sua ausência ou baixa efetividade custa muito, podendo “custar” a liberdade da pessoa, a imagem, a reputação, a própria organização e o negócio.
As organizações, os mercados e o País perdem muito com essas crises e escândalos, precisando aprender com “eles” para conseguirmos mais e mais evita-los.
Esperemos que vivamos doravante uma nova fase de valorização e de fortalecimento da ética e da correção corporativa no Brasil, com fomento das melhores práticas, dos treinamentos, dos programas e das ferramentas adequados – pelo bem das organizações e de todo o ecossistema de negócios no Brasil.
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