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A Petrobras alinha Tecnologia, Proximidade com o Negócio e Pessoas para Garantir Governança e Conformidade nas Operações Internacionais

Com centenas de transações diárias de compra e venda de óleo e derivados realizadas pelo globo e o retorno a mercados complexos, a companhia brasileira enfrenta o desafio de manter a efetividade dos seus controles de conformidade sem emperrar os negócios em um momento de forte expansão internacional

Uma operação que não para nunca, executando centenas de negociações vultosas de compra e venda de petróleo e derivados todos os dias, com agentes de diferentes países, em moedas distintas, lidando com realidades locais díspares… E tudo isso em velocidade vertiginosa. Como um dos maiores players globais de energia, a Petrobras, maior empresa brasileira, não pode se dar ao luxo de esperar por processos de avaliação e aprovação que podem travar o negócio. Porque nesse ambiente de negociação, perder o timing de uma simples operação, pode custar alguns milhares,  talvez milhões de reais. E se o leitor extrapolar esse número para uma pequena parcela do volume de operações realizadas por uma empresa como a Petrobras, esses atrasos podem significar perdas astronômicas.

Ao mesmo tempo, e a Petrobras, mais do que qualquer outra companhia, sabe muito bem disso, não se pode abrir mão de garantir que todas as suas operações estejam em conformidade com as leis e regulações de cada país e com as próprias disposições internas do seu programa de integridade, reconhecidamente um dos mais robustos do mundo. E é na busca dessa “sintonia fina” que a diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras vem evoluindo com os seus processos e práticas ao longo dos últimos anos.

Por exemplo. As operações de trading da Petrobras funcionam com o dinamismo de uma bolsa de valores, com seus profissionais operando a partir do Rio de Janeiro, onde fica a sede da empresa, e de três praças internacionais vitais para o comércio global do petróleo. Roterdã, na Holanda, e a cidade-estado de Cingapura, são dois dos mais tradicionais centros de negociação de commodities e logística do mundo, com séculos de tradição; já Houston, no estado do Texas é a capital da indústria petrolífera norte-americana, e para muitos, a capital global do setor.

Diretor-executivo de Governança e Conformidade da estatal brasileira, Ricardo Wagner aponta que o grande desafio da área é justamente operar os freios e contrapesos dessa engrenagem. É preciso garantir que cada transação siga dentro das regras de conformidade da companhia, mas sem que isso gere atritos a ponto de atrapalhar a fluidez inerente às operações desta natureza. “Mal comparando, nossa trading é como se fosse uma bolsa de valores conectando a Petrobras a compradores e vendedores do mundo inteiro”, ilustra o diretor.

Para garantir que os negócios estejam aderentes às suas políticas e mesmo assim, mantenham a velocidade para operar, a companhia conta com processos de avaliação prévia para o cadastro de parceiros e clientes muito bem desenhados. A partir daí, o radar de integridade da Petrobras varre continuamente listas restritivas do mundo todo. A governança dos parceiros da Petrobras é um dos pilares mais fortes para a integridade da estatal. Hoje, o seu programa de avaliação e due diligence de terceiros é um case de referência do qual toda a empresa se orgulha.

O escrutínio sobre os parceiros é minucioso e abrange toda a cadeia logística. Se a Petrobras compra diesel de um fornecedor no mercado nacional, mas o produto é transportado por um navio com bandeira de um país sancionado, a transação acende um alerta de risco e pode não ser realizada se isso implicar em um risco à estatal .

Para não travar centenas de negociações simultâneas e dar conta de milhares de dados e horas de gravações, a maior parte em idioma estrangeiro, a Petrobras aposta forte na tecnologia da informação. Um sistema sinaliza automaticamente as red flags em operações com características atípicas ou sensíveis, mas é sempre um ser humano que verifica se o alerta procede ou se foi apenas um falso positivo, por uma confusão no entendimento do diálogo pela tecnologia.

Se a Petrobras consegue negociar centenas de contratos por dia, é em boa medida, porque ela tem óleo para vender. E a exploração de petróleo é o core da companhia, por isso, essa atividade extremamente complexa é realizada em terra ou em águas profundas em várias partes do mundo.

A companhia petrolífera vive um momento recente de retorno a países do continente africano com potencial para exploração de petróleo e gás. Nessa nova fronteira, o time de Governança e Conformidade, liderado por Ricardo, embarca junto com a área de negócios, desde o primeiro dia, porque a exposição aos riscos é naturalmente alta em mercados onde a empresa opera como um novo entrante. Por isso, a estatal realiza uma análise rigorosa de todos os profissionais locais que podem vir a ser contratados. O controle se estende fortemente à obtenção de licenciamentos governamentais — tanto para a operação do negócio quanto para questões ambientais. O compliance monitora de perto em quais órgãos a empresa está atuando e com quem está lidando, para mitigar ao máximo os riscos de a empresa ser alvo de potenciais ilícitos, solicitação indevida de documentação ou de valores financeiros.

A lupa também recai sobre a contratação de intermediários. Se a Petrobras precisa de um agente de negócios que conheça as engrenagens locais, essa empresa ou indivíduo passa por uma due diligence bastante aprofundada. A companhia verifica o potencial de conflito de interesses, relações de parentesco com membros do governo, além de checar condenações no âmbito criminal e investigações em curso ou já encerradas.

Em mercados internacionais onde a Petrobras já possui presença física, inclusive plantas industriais estabelecidas, como na Colômbia, a estrutura de integridade é incorporada pela filial e integrada ao dia a dia da operação. Nesses locais, a companhia mescla profissionais oriundos da matriz (em geral, profissionais concursados e de carreira na Petrobras) com funcionários contratados pela operação local (onde a estatal opera sob a lógica de uma empresa privada). Nesses casos, existe sempre a designação de uma pessoa da própria Petrobras dedicada à liderança de Compliance dentro daquela unidade de negócio.

A rotina exige interações e reportes frequentes da unidade para a matriz, na capital fluminense, além do uso intensivo de sistemas de controle. E, engana-se quem acha que o escopo se restringe à pauta anticorrupção. O diretor da Petrobras destaca que a atuação em praças estrangeiras exige a adaptação a um modelo multidisciplinar de conformidade. A operação demanda, por exemplo, um compliance financeiro rigoroso para a abertura e movimentação de contas em bancos locais, além de um compliance ambiental focado no cumprimento das exigências de licenciamento específicas daquela nação. Soma-se a isso a necessidade de um compliance trabalhista, que garante o ajuste das contratações à legislação de trabalho do país anfitrião. Toda essa análise, pontua o diretor, é feita não só para mitigar risco, mas para demonstrar que a Petrobras atua responsavelmente em qualquer parte do planeta.

Antes de ser escolhido e confirmado pelo conselho de administração da companhia para um mandato como diretor-executivo da estatal, Ricardo atuou por quase duas décadas como Auditor Federal de Finanças e Controle da CGU, onde exerceu diversos cargos como Corregedor-Geral da União, Coordenador-Geral de Monitoramento de Acordos de Leniência, Diretor de Responsabilização de Agentes Públicos e Corregedor Adjunto da Área Econômica, o que lhe dá muita base para entender os meandros e os riscos potenciais que emergem nas relações público e privado, em especial em um setor altamente sensível e dependente de relações com o setor público, como é a indústria de óleo e gás.

A robustez nos controles da Petrobras reflete uma transformação profunda ocorrida nos últimos 12 anos, cujo grande marco foi elevar a cadeira de Governança e Conformidade do Compliance ao nível de diretoria-executiva, com o responsável pela área atuando com independência protegida pelo estatuto da empresa e com mandatos que reforçam essa independência, como o poder de veto sobre contratações de projetos e pessoas. Mais importante, o assento no comitê executivo “dá voz ao compliance” na tomada das principais decisões estratégicas e definições de negócios da companhia. Dessa forma, a direção da área passa a ser, também ela, uma fiadora do plano de negócios e investimentos da empresa, que já opera sobre uma governança bastante robusta e estruturada.

Por exemplo, hoje, qualquer projeto da Petrobras — no Brasil ou no exterior — só é aprovado se apresentar um Valor Presente Líquido (VPL) positivo em três cenários rigorosos: o esperado, o otimista e o pessimista. Isso atesta que o projeto será lucrativo mesmo que variáveis indesejadas aconteçam no percurso. Esse rigor técnico e ético que permite à estatal realizar investimentos, sustentar uma geração expressiva de caixa e distribuir dividendos para seus investidores, incluindo o Estado brasileiro (a Petrobras teve o maior lucro entre as petroleiras no primeiro trimestre de 2026). E, mais importante, dão as condições para a empresa  assegurar o cumprimento daquela que talvez seja a sua mais responsabilidade, a missão para a qual ela foi criada, inclusive: a de garantir a segurança energética do país.

Em um cenário de guerras e conflitos afetando diretamente alguns dos maiores produtores do mundo, o Brasil (e as Petrobras) vem conseguindo passar por esse momento com relativa estabilidade de preços e garantia de abastecimento em todas as áreas. “Estamos vendo países fazendo racionamento de combustível, companhias aéreas de vários países cancelando vôos pelo risco de falta de abastecimento de combustível, para ficar em dois exemplos. Aqui no Brasil, graças ao papel estratégico da Petrobras e a sua governança (de riscos, inclusive) muito robusta, não tivemos nada nem próximo disso“, comemora Ricardo Wagner, reforçando que é sob essas premissas que a Petrobras demonstra que integridade e rentabilidade caminham juntas, como engrenagens interdependentes que ditam o futuro da energia.

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As opiniões contidas nesta publicação são de responsabilidade exclusiva dos Autores, não representando necessariamente a opinião da LEC ou de seus sócios.
Imagem: Canva
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